Quarta-feira, Novembro 09, 2011

COMO ENTENDER O JEJUM

Pr. Maninho fala sobre como entender o jejum





O jejum tem gerado opiniões divergentes no meio evangélico. Enquanto uns o fazem diariamente, outros o rejeitam como prática judaica. Até mesmo entre os que o aceitam não há consenso acerca do seu sentido e propósito. O objetivo deste texto é, de forma resumida, explicar o jejum, seu propósito e relevância para os nossos dias.
Jejuar é uma prática bastante antiga dos hebreus, que também encontrou lugar entre pagãos (p. Ex. o rei medo Dario em Dn 6: 14-18). Nos primórdios era uma forma de expressar profunda dor. Na língua aramaica, o idioma dos judeus a partir do cativeiro babilônico até os tempos do NT, a mesma palavra que é usada para jejum, também significa luto. Jejuava-se geralmente em contexto de tristeza ou desgraça como pela perda de um ente querido (2 Sm 1: 12), vergonha pelo pecado (Ne 9: 1, 2), ao sofrer injúrias (Sl 109: 20-24) ou diante de grande privação (Jl 1: 12-14). Havia no coração de quem jejuava a esperança de que Deus se compadeceria da sua situação (2 Sm 12: 22). Em suma, acreditava-se que o jejum estreitaria a conexão com Deus.
De forma semelhante, no NT o jejum continuou como prática para os cristãos. O próprio Senhor Jesus jejuou preparando-se para o seu ministério (Mt 4: 1, 2), bem como os primeiros discípulos, por exemplo, para obter sabedoria antes da eleição dos presbíteros (At 14: 23).
Qual seria, então, o sentido do jejum? Por toda a Bíblia vemos o ensino de que a nossa existência não se resume ao mundo material. Juntamente com o corpo físico temos um elemento espiritual que pode se relacionar com Deus e se separa do corpo após a morte (Ec 12: 7). O jejum põe essa crença em prática. Negamos ao corpo a realização de algumas necessidades e desejos para alimentarmos exclusivamente o espírito. Jesus expressou esse princípio quando estava jejuando e foi tentado pelo diabo: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4: 4). Por isso não devemos jejuar à vista das pessoas, pois, por ser uma prática do mundo invisível, perderia o seu sentido (Mt 6: 16, 17).
Outro fundamento importante do jejum é o fato de que todos nós, embora já desfrutando da salvação eterna, ainda vivemos um contexto de espera, pois só na volta de Jesus desfrutaremos de um estado perfeito de existência. Ele mesmo ensinou que os seus discípulos não jejuariam enquanto ele estivesse presente fisicamente no mundo (Mc 2: 19), entretanto, quando ele fosse tirado do meio do mundo, praticariam novamente o jejum: “Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão” (Mc 2: 20). Portanto, mesmo na era cristã a prática do jejum é pertinente, podendo ser extremamente abençoadora, em um tempo no qual ainda vivenciamos muitas crises e precisamos estar mais sensíveis à presença do Senhor.
Aproveite nossa campanha de quarenta dias. Aceite o desafio de abrir mão de algo da sua rotina que atenderia seus desejos e necessidades desse mundo material para dedicar-se à espiritualidade. Troque um prazer físico por um momento de culto secreto a Deus e experimente as delícias que só a intimidade com o Pai pode proporcionar. Alimente-se do jejum não como uma forma de barganha com Deus, mas sim como um instrumento de crescimento que pode revolucionar sua caminhada cristã.

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